quinta-feira, setembro 25, 2008

O Pnad e o Mestre-teaser*

“A taxa de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anos caiu de 14,7% para 10%, no entanto, persistia um número elevado de pessoas que não sabiam ler ou escrever: 14,1 milhões de analfabetos, dos quais 9 milhões eram pretos e pardos e mais da metade residia no Nordeste” (dados do site do IBGE)
Mas o que quero abordar nesse texto não é bem isso. Quero defender uma nova idéia que me surgiu hoje durante uma aula de pós-graduação. Infelizmente, somente agora. É que entendi em plena especialização, logo após 2º e 3º graus, que o nosso sistema de ensino é falho não somente pelas questões levantadas pelo IBGE.
É defeituoso porque cheguei a conclusão de que toda pessoa na sua formação deve ter uma espécie de Mestre. Não do tipo mestre das artes marciais, mas um Mestre-teaser (*a palavra em inglês teaser quer dizer provocador) dos conhecimentos. Tipo aquele professor que você tem no primário que nunca vai esquecer, o problema é que no primário o máximo que é ensinado tem um aprofundamento de uma matéria segregada das demais, que provavelmente não trará grandes funcionalidades no futuro.
Hoje, 25 de setembro, vi um exemplo do professor vencedor do Prêmio Victor Civita 2008 da Abril, no estado de São Paulo. Esse sim um verdadeiro Mestre-teaser. Seu método, que faz lembrar Edgar Morin e sua Reforma do Pensamento, consiste em ensinar matemática nas escolas públicas utilizando outras matérias, como o próprio português, por exemplo. O Professor solicita a seus alunos durante a aula que descrevam como efetuaram as equações matemáticas da lição de casa em frente toda a turma, portanto desenvolvendo a oratória (que tanto faz falta no futuro).
Não sou nenhum educador e não tenho a responsabilidade de inventar uma nova forma de educar, isso foge do meu escopo de atuação. Mas aqui escrevo como discente que conheceu alguns destes teasers. O ideal de Mestre-teaser que tenho em mente seria aquele guiaria seu discípulo por caminhos tortuosos do conhecimento até que ele encontrasse a tranqüilidade que a sabedoria carrega.
Na prática, seria uma espécie de guia do conhecimento. Sem arbitrariedades é claro. A sua missão seria guiar aquele que está em busca de conhecimentos, a fim de evitar a demanda inútil de informações nessa época de cibercultura de massa. Indicar-lhe grandes leituras coniventes com os passos do seu amadurecimento intelectual. Não adianta um Friedrich Nietzsche aos quinze anos de idade, pelo menos em tese.
No momento em que o Mestre-teaser percebesse que o discípulo está pronto para adentrar uma biblioteca e não mais ver somente retângulos amarelados empilhados, então ele está pronto para alçar seus próprios vôos.
O professor pode deixar então que ele tenha as habilidades de vôo daquele personagem do que pode ter sido do primeiro livro indicado por ele, Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach.

1 Comments:

At quinta-feira, setembro 25, 2008 3:35:00 PM, Anonymous Mariana said...

Gostei da reflexão. Apesar de pouca gente estar ciente disso, o conhecimento necessário a todo ser humano está mto além dos muros quadrados da escola.

 

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